quarta-feira, 6 de julho de 2011
terça-feira, 5 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
domingo, 3 de julho de 2011
Entrevista com Gilberto Messias - presidente do Redondense Futebol Clube
Foi eleito dirigente do ano a nível do desporto distrital. Estava à espera deste prémio?
Não estava à espera, digo-o com toda a sinceridade.
Mesmo depois de uma época em que o Redondense ganhou o Distrital, a Taça e várias provas nos escalões de formação?
Fizemos uma boa época mas há “dinossauros” no distrito … às vezes quem ganha os campeonatos não ganha os prémios do desporto distrital. O ano passado, por exemplo, ficámos em terceiro e o Paulo Sousa ganhou o prémio de melhor treinador.
Então a que é que atribui este prémio?
Atribuo-o ao nosso trabalho, foi um ano muito intenso. Somos uma equipa pequena com poucas ajudas, apenas a da Câmara e da Junta de Freguesia, enquanto em cidades como Évora e Montemor há um mercado muito maior, com muitas outras possibilidades de apoio.
Ou seja, um orçamento menor obriga a uma maior entrega por parte dos dirigentes?
É isso. Somos das equipas com menos patrocínio, ganhámos o que ganhámos durante a época e demos um “salto” financeiro de 19 mil euros. Tinha herdado uma dívida um pouco complicada, pagámos uma parte dessa dívida … não foi fácil. Arrisco-me mesmo a dizer que fomos o único clube do distrito que deu lucro.
Conjugar resultados desportivos e financeiros é atípico?
É, é … uma coisa é certa, tive a sorte de reunir uma grande equipa neste clube, formada por pessoas dedicadas. Este resultado é um pouco de todos nós. Quanto aos grandes patrocínios, todo o dinheiro que entrou no Redondense foi trazido por nós, pessoalmente ou através das pessoas que trabalham connosco na empresa Messias & Irmãos.
O orçamento do Redondense nem sequer era dos mais elevados do distrital?
Não. Posso dizer-lhe que ainda há dias esteve aqui na minha casa toda a direcção do Escoural, estivemos a falar e soube que o orçamento deles era superior ao nosso.
Fizeram a época com quanto?
Com 93 mil euros.
Mesmo assim foi possível ganhar o campeonato e a taça. Isso deve-se ao facto de uma grande parte do plantel ser de Redondo?
A vila tem tido sempre grandes jogadores. Este ano conseguimos ir buscá-los todos … o Manuel do Carmo, que jogou no Vitória de Setúbal, muitos outros e um grande treinador, o Paulo Sousa, que também é da terra. Pegámos no Redondense com 22 mil euros de dívida, não tinha crédito em lado nenhum e nem sequer os jogadores acreditavam no clube. Este ano sucede precisamente o contrário, apesar de os orçamentos continuarem a ser baixinhos, não podemos entrar em loucuras.
Por falar nisso, vai disputar a III Divisão Nacional com que orçamento?
Estamos a apontar para os 120 mil euros.
Não dá para grandes sonhos.
Dá para manter na III Divisão. A aposta nos jogadores da terra será para manter … alguns já assinaram. Não vamos entrar em campeonato para fazer má figura mas sempre que houver a opção por um jogador da terra é essa a que iremos tomar. É essa a nossa obrigação, enquanto Redondense Futebol Clube.
Isso porquê?
Olhe, dá gosto ver quando os jogadores “sentem” a camisola que vestem. Tivemos aqui jogadores de fora, correu tudo muito bem, sem eles não teríamos conseguido ganhar o que ganhamos mas a base tem de ser formada pelos jogadores da terra. Quer outro exemplo: integrámos no plantel dois jogadores formados nas escolas do clube que só daqui a dois anos passam a seniores.
Sendo difícil, a manutenção é o objectivo para a próxima temporada?
Se não o alcançar sinto-me derrotado. Estive dois anos no Redondense, depois saí porque o clube não estava estruturado como eu queria … uma coisa é certa, o ano passado fizemos um grande trabalho mas já havia bases lançadas. No caso dos miúdos, então, é um projecto que já vem de há 5 ou 6 anos, com pessoas a trabalharem aqui de borla. Este ano colheram-se os louros.
E no futebol sénior?
É como lhe disse, é importante ter os pés bem assentes no chão. Isso tenho. E por isso posso dizer que temos condições para nos mantermos na III Divisão Nacional. O meu objectivo desportivo é esse mas quero também recuperar o passivo do clube, manter o nosso bom nome. Nada de nos endividarmos. Quando acabou o último jogo da última temporada, não devíamos um cêntimo a jogador nenhum. Muito ou pouco, cumprimos o que estava combinado e se olhar aqui à volta [no Distrital] não é bem assim.
Tendo ganho o campeonato e a taça, o que menos se imaginaria era uma crise directiva. A verdade é que só depois de quatro assembleias-gerais é que o Gilberto Messias anunciou a continuação à frente do Redondense. O que é que passou?
Já o ano passado houve uma situação idêntica e eu, confiando nalgumas pessoas, dei a cara. Aí sim, sinto-me derrotado. Estou a falar do ano passado, de promessas de apoio que não chegaram a ser concretizadas. Falhou de um lado, avançámos para outro e levámos as coisas a bom porto. Tenho a minha vida, o meu trabalho, uma vida profissional complicada e queria deixar o clube. Queria mesmo sair, deixando-o livre de encargos, o que não foi possível.
Ainda não respondeu à pergunta. Tendo obtido sucesso financeiro e desportivo, o que é que estava em causa?
Estava a querer fugir à questão mas uma vez que a coloca por duas vezes vou ter de responder. Olhe, o que se ouvia por aqui depois das vitórias no distrital e na taça e da subida à III Divisão, é que o clube não acabava se nos fossemos embora. Com toda a gente que acompanhava o Redondense fiquei convencido que alguém iria avançar. E não avançaram porquê? Não há meios, não há dinheiro … quem é que aguenta o clube com reduzidos apoios como aqueles que nos temos?
Ninguém se chegou à frente?
Ninguém. Fui à Câmara, Junta de Freguesia e Adega para nos dizerem até onde poderiam ir [quanto a patrocínios] para a III Divisão. A minha ideia era chegar à assembleia-geral com esses apoios, dizer às pessoas que as condições eram aquelas e, nessa circunstância, não faltariam listas para os órgãos sociais. Quando havia muito dinheiro, havia três ou quatro listas.
Esses apoios falharam?
Falharam … a gente sabe que o país está a viver um momento de crise muito complicado. A Adega Cooperativa, por exemplo, cortou todos os patrocínios, ficou tudo a zero. Tenho esperança de o Redondense ser uma excepção, estou convencido que continuarei a contar com a ajuda deles. Mas a Junta de Freguesia apenas se disponibilizou a dar 750 euros por ano. Ou seja, dá 750 euros por cada equipa … mesmo a sénior, sendo a equipa que vai levar o nome da terra a um campeonato nacional.
É uma verba baixa?
Muito baixa. Não sei as dificuldades que as pessoas têm … fiquei muito desiludido. Fomos à Câmara e também nos prometeram uma verba muito “curta”. Tentei convencer as pessoas para avançarem com uma lista, que as coisas podiam ser alteradas, mas ninguém o quis fazer, os jogadores estavam a querer sair …
Até que?
Até que houve uma assembleia-geral em que os sócios disseram que se não houvesse futebol sénior não haveria nada, fechávamos portas. Era triste ver todo este trabalho ir por água abaixo.
E, para si, inaceitável?
Inaceitável … decidi avançar novamente num momento já de alguma raiva. Tinha prometido à minha família que a última temporada seria mesmo a última, para mim. Mas há uma expressão que gosto de usar e que se aplica a esta circunstância: uma parede que eu faça não é qualquer um que a consegue derrubar.
Ou seja, está no início de uma época em que o orçamento não está definido?
Da Câmara Municipal de Redondo já ouvimos.
E não ficou satisfeito, pelo que vejo?
Nada, nem estou minimamente com vontade de ir lá pedir mais um cêntimo sequer. As pessoas têm de sentir o trabalho que está a ser feito no Redondense e saber as obrigações de cada um. Não vou mendigar nada.
A III Divisão Nacional é um sonho?
Para mim é. Tanto que depois de termos chegado até aqui, conseguido garantir a subida, sermos os melhores, não podíamos pura e simplesmente fechar as portas, desistir.
Isso esteve em causa?
Esteve tudo em causa, da participação no nacional da III Divisão a termos aqui um único miúdo que fosse a jogar à bola. Isso eu não poderia admitir e estou cá para ver como é que as coisas se vão desenrolar. Não vai ser fácil mas pode ter a certeza que não nos param o andamento.
Já tem treinador?
Já. O Paulo Sousa vai continuar a ser o treinador do Redondense, dá-nos garantias … ele é que tem de estruturar a equipa.
Vai haver grandes mexidas?
Vamos ter 17 atletas de Redondo num plantel de 23. Acho que é muito bom.
E nos escalões jovens?
Vamos prosseguir o trabalho dos anos anteriores e fazer mais duas equipas. Fomos campeões em benjamins e iniciados. Aliás, em iniciados subimos ao Nacional mas como os jogadores atingem o limite de idade não temos equipa para poder competir.
Do ponto de vista de instalações, qual o ponto de situação?
Estamos muito bem a esse nível. Aliás, deixe-me dizer-lhe que a esse nível a Câmara Municipal tem feito um trabalho excelente, tem-nos ajudado muito. Vamos inaugurar um ginásio que será dos melhores do distrito.
O que é que leva um empresário a meter-se nestas aventuras do futebol distrital?
Nunca joguei futebol, não tenho filhos a jogar futebol, nem sequer sou de cá mas de Borba …
… todas as condições para não se meter nisto!
Todas, mas prezo ter amigos por todo o lado … foi também por pressão deles e dos meus irmãos.
O desporto é uma paixão sua?
Gosto muito mas futebol nunca soube praticar. Já no tiro aos pratos fui campeão pelo distrito e campeão nacional em pombos. No Redondense temos apenas futebol. Até havia condições para outras modalidades, se calhar é isso que irá acontecer no futuro mais próximo.
Por agora é manter.
Foi o ano do impasse, temos de manter o que está. Enquanto aqui estiver não haverá um miúdo que queira jogar futebol e não tenha equipamentos, não faça exames médicos, não tenha as condições de um craque para poder jogar. A porta está sempre aberta a toda a gente. Enquanto jogam futebol não têm tempo para outras coisas. Aqui praticam desporto e aprendem a ser homens.
in Registo
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Torneio "Lopes da Silva" - Évora atinge 12º Lugar e Ganha taça Fair Play.
Finalizou ontem o Torneio "Lopes da Silva" em Fátima que teve como vencedor a Selecção de Lisboa, ganhando ao Porto na final na marcação de grandes penalidades.
A Selecção de Évora teve uma boa participação conseguida atingir o 12º lugar nas 22 participantes e ganhou o prémio de Fair Play que à mais de 8 anos não era garantido pela mesma no Torneio.
Tendo a noção que todos os envolvidos fizeram o trabalho sério e de grande competência a Associação Futebol de Évora agradece a todos os familiares, dirigentes, treinadores e jogadores que participaram no processo com o apoio incondicional dos Clubes.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
O 1º team do Sport União Casa Pia de Évora
O team do Sport União Casa Pia de Évora apareceu em público como equipa em 1913. Jogaram então com o 2.º team do Sport Vitória Académica, tendo triunfado a equipa do Casa Pia por 1 a 0. A sua sede era na Real Casa Pia (actual Universidade de Évora), tendo como equipamento camisola roxa e branca (metade de cada cor) e calção preto. A partir de 8 de Outubro de 1915 Augusto Cabeça Ramos comunicava à imprensa que passara a ser treinador de futebol dos alunos internados na Casa Pia de Évora e em 1920/1921 a equipa alcança o título de campeã. A partir de 1926 o clube deixa de participar em competições públicas e quatro dos seus jogadores ingressam no Lusitano Ginásio Clube.
Autor Mário Gama Freixo
Data Fotografia 1915-10-12 -
Legenda O 1º team do Sport União Casa Pia de Évora
Cota GMF cx.31 011 Propriedade Arquivo Fotográfico CME
terça-feira, 28 de junho de 2011
segunda-feira, 27 de junho de 2011
3º Dia Torneio "Lopes da Silva" - Rescaldo
em sido até ao momento bastante positiva a prestação da Selecção de Évora sub14 no Torneio "Lopes da Silva". Évora leva neste momento 6 pontos em 3 jogos, ganhando os dois primeiros a Angra e Guarda e perdendo hoje com Braga por 1-0. Estando a meio da prova, os jogadores de Évora têm demonstrado uma grande atitiude competitiva e forte espírito de grupo, equilibrando assim os jogos com qualquer selecção. O próximo jogo realiza em 3ª feira com Coimbra.
V Gala do Futebol Eborense
Realizou-se ontem na Arena de Évora a V Gala do Futebol Distrital de Évora com a participação de cerca de 850 pessoas. Apesar do intenso calor que afastou alguns dos interessados os trabalhos desenvolveram na normalidade com o reconhecimento individual e colectivo de todos os filiados que se destacaram na época desportiva 2010-2011. Em mais num grande momento do futebol distrital eborense acreditamos que este seja um dos momentos marcantes para todos os intervenientes. Que em 2011-2012, possamos todos juntos celebrar mais um evento desta dimensão.
Campeonato Internacional Militar
Campeonato Internacional Militar, Campo Estrela: " Évora desfrutou ontem pela primeira vez […] um espectáculo de categoria internacional: a disputa de dois encontros para o Campeonato Internacional Militar em que se bateram galhardamente a Itália contra a Turquia e Portugal contra o Egipto. O facto teve grande retumbância atraindo a esta cidade grande número de entusiastas do futebol vindos de Lisboa e várias terras do país, especialmente da nossa província." In Democracia do Sul, Ano 55.º, n.º 11621, 5/4/1956.
Autor Mário Gama Freixo
Data Fotografia 1956-04-04 -
Legenda Campeonato Internacional Militar
Cota GMF 124 Propriedade Arquivo Fotográfico CME
sábado, 25 de junho de 2011
Évora entra a ganhar no "Lopes da Silva"
A Selecção de Évora de Sub14 iniciou ontem a sua jornada no torneio "Lopes da Silva" que se realiza na zona de Fátima organizado pela FPF. A selecção de Évora ganhou a Angra do Heroísmo por 1-0 com o golo a ser apontado por Bruno Grades (SC Borbense) ainda na 1ª parte. Évora realizou um bom jogo e podia ter dilatado o resultado por diversas vezes o que teimosamente não aconteceu até ao final da partida. Évora entra assim com o pé direito no Torneio estando com boas expectativas para o encontro de hoje com Guarda. Esperemos todos que consigamos mais 3 pontos.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Último Convívio da AF Évora - Época 2010/2011
Realizou-se no passado Sábado a última competição da Associação Futebol de Évora 2010-2011. Cerca de 300 crianças reuniram-se em Vila Viçosa para realizar o 16º convívio da época da responsabilidade do Calipolense.
Durante a tarde os futuros atletas do Distrito participaram em diversos jogos e em actividades superiormente organizadas pelo Departamento Técnico da Escola de Futebol do Calipolense.
O projecto fecha assim as suas portas em 2010-2011 e voltará abrir-las em Setembro com novas novidades.
Selecção Sub14 - Évora - Jogo Particular
Realizou-se em Portel mais um jogo de preparação da Selecção de Évora com vista a sua participação no Torneio Lopes da Silva de 23 a 30 de Junho em Sub14.
Foi um jogo muito bem conseguido da Selecção de Évora que contra Beja ganhou por 2-0, com golos de Duda (LGC) e Pardana (CF Estremoz).
Antes da partida para Fátima, Évora ainda irá realizar dois treinos (3ª e 4ª feira) no campo do Calvário em Redondo.
5ª Acção para Dirigentes Desportivos da AF Évora
Realizou-se na semana passada mais uma acção para Dirigentes Desportivos, organizada pela Associação Futebol de Évora. A presente sessão foi desenvolvida pelo Dr. Luis Paulo Relógio que abordou temas sobre a organização do desporto em Portugal e o Licenciamento Desportivo dos Clubes. Terminou assim mais uma iniciativa organizada pela AFE com a finalidade de qualificar e potenciar o conhecimento dos dirigentes desportivos no sentido de melhorar a sua intervenção no Clube. A formação dos seus filiados é uma responsabilidade da AFE que em 2010-2011 foram contemplados com a organização de dois cursos de treinadores (futebol e futsal) e um para dirigentes desportivos.
domingo, 19 de junho de 2011
Entrevista a Paulo Sousa, Treinador do Redondense
O Redondense ficou apenas um ponto à frente do Lusitano de Évora. Foi uma recta final de campeonato muito intensa?
Foi. Acabámos por decidir a subida na última jornada perante o Escoural. Éramos um “outsider” desta divisão de honra. Fortes candidatos eram o Monte do Trigo e o Lusitano de Évora, que nunca tinha ficado dois anos seguidos no Distrital. Fomos trabalhando a pouco e pouco, vendo que tínhamos possibilidade de alcançar esse objectivo, mantivemos o primeiro lugar desde a quinta jornada … Foi dos campeonatos mais competitivos, mais renhidos. Cada vez o Distrital tem mais qualidade, fruto da formação dos clubes.
Quando chegou ao primeiro lugar pensou que o Redondense poderia disputar a vitória no campeonato?
Nessa altura ainda não, apenas mais tarde quando ficámos a 6 pontos do segundo classificado, o Lusitano de Évora que perdeu em casa com o Oriola. Aí sim, verificámos que conseguíamos manter o primeiro lugar sabendo que haveria jogos difíceis. Depois ficámos só com um ponto de diferença mas a equipa estava unida, coesa, sabíamos que não havia margem de erro.
Qual foi o segredo do Redondense?
Foi tudo um pouco ... uma equipa directiva competente, com qualidade, todos a puxar pelo mesmo, a trabalhar até à exaustão, a equipa técnica com os meus colegas André Barreto e Paulinho Caraças, e os jogadores propriamente ditos que foram extraordinários.
Como foi formada a equipa?
O plantel já vinha do ano passado, já tínhamos uma base de bons atletas e bons homens. O ano passado trouxemos o maior número possível de jogadores da terra para a equipa e este ano aliámos mais alguns que estavam a jogar noutros clubes. Chegámos a um ponto em que o técnico estava lá para gerir, o grupo era tão coeso, tão forte, estava tão unido que fazia o resto. Quando fazemos um plantel procuramos aliar ao máximo a experiência de alguns jogadores com a juventude e a irreverência de outros e isso tudo junto acaba por produzir resultados.
O plantel era dos mais fortes?
Isso é um pouco subjectivos porque pode haver bons jogadores e não termos um bom grupo, um bom plantel. Sem uma boa qualidade de atletas e sem um bom grupo não conseguíamos fazer a dobradinha, ficar em primeiro lugar e conquistar a Taça distrital. Agora, sem dúvida que havia muito bons plantéis como o do Monte do Trigo que se reforçou bastante este ano, e o Lusitano, não só pela qualidade dos atletas mas também pelo historial que tem.
Era uma das equipas mais caras do distrital?
Isso é algo que sempre suscitou a dúvida de muita gente. Não era. Tínhamos até o orçamento mais baixo das equipas que ficaram nos primeiros lugares.
A equipa continua junta?
Isso é outra questão … vai haver eleições este ano, infelizmente já tivemos duas assembleias-gerais e ainda não apareceu nenhuma lista. Quero ressalvar o excelente trabalho que esta direcção fez, acabámos por subir de divisão, ganhar a taça e acabar a época com saldo financeiro positivo. A primeira assembleia-geral aprovou as contas mas depois não houve a eleição de uma nova direcção. Fez-se uma segundo, apareceram 40 e poucos sócios, ideias, vontade de ajudar mas sabemos que a III Divisão é muito mais dispendiosa, obriga a um orçamento muito superior e é necessário o apoio das entidades competentes, como a Câmara e Junta de Freguesia, até porque a terra terá uma maior visibilidade na zona Sul do país.
Este vazio directivo pode pôr em causa a participação do Redondense na III Divisão?
Claramente, estamos um pouco receosos porque o tempo urge e não surgem soluções. Não nos podemos esquecer que a III Divisão começa mais cedo. Em finais de Agosto estamos já a competir para a Taça de Portugal, o plantel tem de ser constituído o mais rapidamente possível, é preciso planear os treinos e o início da época e essa hesitação está a deixar-nos receosos, mesmo enquanto sócio.
Este é o seu clube de eleição?
Sou daquela terra, fui criado naquela terra, tenho a máxima das simpatias por aquele clube. Não fui para o Redondo para ganhar dinheiro mas para conquistar outras coisas. Este vazio directivo deixa-me triste, não há um entendimento entre as várias partes. O Redondense foi este ano campeão em Benjamins, Iniciados e fez a dobradinha em Seniores. Isto é, num ano em que consegue três títulos e uma taça é de louvar o trabalho feito por todos mas dá-me pena este vazio directivo.
A continuação desse trabalho pode estar em causa?
Precisamente. Não nos podemos esquecer que os miúdos ambicionam jogar no plantel sénior, não faz sentido estarmos a formar jovens atletas e depois não os podermos colocar no clube da terra, aquele que eles mais gostariam de representar. Não é só a parte desportiva que está em causa é também a humana, estamos ali a formar homens. Temos muita gente ligada àquele clube.
Esta situação é recorrente nos clubes?
Sim, temos o caso do Estrela de Vendas Novas, no Redondense o ano passado aconteceu a mesma coisa, o do Juventude com a não recandidatura de Amadeu Martinho … é recorrente porque acabam por ser quase sempre as mesmas pessoas a avançar. As pessoas estão cada vez mais desligadas dos clubes.
Sérgio Major | Diana FM
Entrevista a Carlos Vitorino, treinador do Estrela de Vendas Novas
O Estrela de Vendas Novas chegou ao fim do campeonato em primeiro lugar. Objectivos alcançados?
O Estrela fez um campeonato brilhante. Desde logo porque subiu de divisão, alcançou o maior objectivo de todas as equipas. Depois, subimos com a maior diferença de pontos que alguma vez houve para o segundo classificado, foram 10 pontos. Fomos a terceira melhor equipa a nível nacional na capacidade de finalização, apenas ficando atrás do FC Porto do Cinfães, mas este fez mais um jogo do que nós. Fomos uma equipa com um orçamento dos mais baixos da III Divisão Série F mas que cumpriu com toda a gente, voltou a dignificar a terra e o futebol alentejano, a chamar a população, com muitos jogadores de formação, o que se pode dizer? Foi um trabalho extraordinário.
Era expectável, à partida, que as coisas corressem desta forma?
Quando fazemos uma equipa de futebol temos de o fazer com realismo. A gente olha sempre muito para os orçamentos embora saiba que o dinheiro não conquista tudo, ajuda.
E motiva muito?
Ajuda. Se temos dois jogadores, um que custa 700 euros e outro que custa 350 euros, alguma diferença terá de existir. Nós não tínhamos essa capacidade [financeira], até tivemos alguma dificuldade em construir o plantel … houve alguns falhanços. Nas primeiras 7 ou 8 jornadas fomos fazendo algumas experiências com jogadores que eram apostas nossas.
Alguns nem acabaram a época.
Houve 4 ou 5 mudanças. Lembro-me que em Moura perdemos 5/2 e passado pouco tempo 4 jogadores saíram do plantel porque não tinham a mentalidade da equipa. Mas na realidade, eu não me via a voltar [ao Estrela de Vendas Novas] para me manter na III Divisão, tendo sempre fazer equipas nas quais acredito, acredito que posso fazer algo mais do que o objectivo proposto. Recordo-me de quando treinava os escalões de formação do Estrela e vínhamos competir com equipas de Évora, claramente superiores, havia sempre a tentativa de preencher os espaços e trabalhar aqueles jogadores para que conseguíssemos vencer ou, pelo menos, equilibrar as equipas. Sempre trabalhei dessa forma.
Depois desse início, o Estrela saltou para os primeiros lugares.
Quando a equipa chega a um dos seis primeiros lugares vi que iríamos andar por ali. Empatámos na Cova da Piedade, esse jogo foi péssimo, mas depois surgem várias vitórias e entramos numa segunda volta em que a gente só perde no campo do União de Montemor. Esta equipa tinha dois problemas: nem podia existir muita carga emocional na bancada, como em Montemor, nem podia cair no facilitismo, como sucedeu na Cova da Piedade ou em casa com o Costa da Caparica.
É falta de motivação dos jogadores?
Não, não é falta de motivação. Se nos distrairmos, eles ou se julgam os melhores ou ficam com medo de alterar o rumo das coisas. É assim nos jogadores como na juventude de hoje em dia: não lhe pudemos dar tudo nem meter medo das coisas. Temos de alertar, fazer ver que podem cair de um momento para o outro mas eles têm de respeitar toda a gente. O respeito é um processo de disciplina. Foi uma época brilhante. Na realidade não estávamos a pensar subir de divisão mas sempre acreditei que aquele grupo de jogadores, se fosse encaminhado para o sítio certo, poderia levar a equipa a subir de divisão.
O jogo com o Rio Ave para a Taça de Portugal foi um prémio amargo, em virtude da derrota?
Quando dou oportunidade a um jogador é porque ele a merece e acho que, no fundo, os jogadores que saíram foram indivíduos extraordinários. Mas a equipa do Estrela de Vendas Novas nesse jogo ainda tinha os jogadores que depois saíram porque não se enquadraram na mentalidade que eu pretendia e o grupo necessitava. Hoje, mesmo com o Rio Ave mais forte, poderíamos fazer um pouco mais.
Qual o futuro do Carlos Vitorino?
“Tive duas ou três abordagens a perguntar qual era a minha situação e tive um convite que não me motivou. Gostava de continuar a treinar mas vou ser sincero: Gosto muito do Estrela, gosto muito da minha terra mas tenho lá a minha actividade profissional e a minha família e isso por vezes não é muito benéfico”.
Registo | Diana FM
sexta-feira, 17 de junho de 2011
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